
São restos de sons distantes.
São poucos os sons visitantes
De bem-te-vis e sabiás cantantes.
São poucos os sons andantes.
São poucos os sons galopantes.
São poucos os sons de galinhas ciscantes.
São poucos os sons de mariposas esvoaçantes.
São poucos os sons de gaivotas dançantes.
São poucos os sons de cabritos berrantes.
São poucos os sons gritantes
De crianças na hora do lanche.
São poucos os sons confiantes.
São poucos os sons vibrantes
De atletas em momentos triunfantes.
São poucos os sons dos amantes.
São poucos os sons diante
De beijos apaixonantes.
Aqueles sons nossos de antes
São restos de sons distantes.
Já não se ouve o sino da Catedral.
Já não se ouve mugidos no curral.
Já não se ouve o Seridó Rural.
Já não se ouve aboios de vaqueiros.
Já não se ouve brados de cocheiros.
Já não se ouve talheres na ceia.
Já não se ouve poesias à lua cheia.
Já não se ouve preces noturnas.
Já não se ouve dízimo nas urnas.
Já não se ouve pedidos de benção.
Já não se ouve um "com licença".
Já não se ouve convites para passeios.
Já não se ouve um galanteio.
Já não se ouve um papo em família.
É minguante o coral na homilia.
Aqueles sons nossos de antes
São restos de sons distantes.
Mas, ainda há sons confiantes
Em sons ressuscitantes.
Gilberto Costa - poeta e escritor caicoense.