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domingo, 25 de janeiro de 2015

Caminhões mistos e sopas de Caicó



Como meio de vida o meu pai escolheu ser caminhoneiro. Foi com aquela atividade – transportando cargas e passageiros – que ele criou nove filhos, cinco com a minha mãe e os demais “fabricados” ao longo das estradas deste país. Em consequência dessa laboriosa e honrada profissão, durante meus anos de infância e juventude, vi desfilarem em nossas vidas inúmeros veículos das mais variadas marcas, modelos e anos de fabricação, dentre os quais tentarei relembrar de alguns.

O maior retrospecto que a minha memória consegue alcançar chega ao ano de 1944, quando meu velho comprou em São Paulo um caminhão Ford movido a “óleo cru” e que foi o primeiro deste gênero que chegou ao Seridó, exatamente em Caicó.

Recordo-me também de um caminhão, o Chevrolet 1945, conhecido popularmente como “Cara Suja” (a grade dianteira era preta) e “Canela Fina” (com um eixo diferencial delgado), cabina de aço (que meu pai mandou transformar em cabina de madeira com bagageiro externo na parte superior), faróis em cima dos para-lamas e sinaleiras nas laterais da cabina que, quando ligadas, saíam umas linguetas de dentro de uma caixa, que lembravam os olhos de um caranguejo. 

Posteriormente meu pai adquiriu um caminhão Chevrolet, ano 1946, este mais moderno do que o anterior, cognominado de “Cara Branca” (a tela dianteira era niquelada) e “Canela Grossa” (o diferencial com maior potência, mais engrenagens, mais grosso). Naquela época contava-se uma piadinha que dizia que um proprietário de dois caminhões, marca Chevrolet, um ano 1945 e outro ano 1946, escreveu nos para-choques: “O que ganho com o Cara Branca, gasto com o Cara Preta”. O delegado da cidade não gostou e mandou retirar aqueles dizeres dúbios. O proprietário retirou, mas em seu lugar escreveu: “O que ganho com o Cara Branca, continuo gastando”.

Por Ciduca Barros - escritor caicoense. 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Chaves - João Medeiros

Ironia ou sarcasmo...
Sua personalidade...
Personagem singular...
Mesclando ingenuidade...
Seu Madruga, irritando..
E o povo alegrando,
Os fãs de toda idade


quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Lembranças da Festa de Sant’Ana de Caicó - João Medeiros

Esse é nosso melhor clima,
Toda cidade se irmana.
No final do mês de julho,
Na sua última semana.
Seridó, todo se une,
Em homenagem à Sant'Ana

A nossa Caicó em festa,
Recebe os peregrinos,
Na Catedral, bate o sino,
Novena da padroeira,
Feirinha, na quinta-feira,
Leilão e a cavalgada,
Nossa festa mais amada,
Do Sertão do Seridó,
Que vem todo a Caicó,
Pra Procissão Aclamada!

No passado, o Parque Lima,
E o bom Rolete de Cana.
Mesada dos Nossos Pais,
Aquela Roupa Bacana.
Tudo isso, só se rimava...
Com a Festa de Santana.

Sant’Ana é tradição,
Encontro, Fé e Ternura.
É a Santa Confissão,
Perdoando a Criatura.
É o Povo do Sertão,
Fazendo a Bela União,
Da Santa Igreja e a Cultura!

Por seculos, no Seridó,
Sant’Ana é Tradição.
Esperança de um Povo,
Nos Passos da Procissão.
É a Fé da Criatura,
A Santa Igreja e Cultura,
“Um Mar” de Gente em União!

João Medeiros - poeta caicoense

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Rádios AM


Na década de 1950, Caicó com energia elétrica somente durante a noite, aqui está uma das nossas pouca diversões: ouvir o rádio (AM). Era num desses que nós nos regalávamos. O velho e pesado receptor a válvulas e com caixa de bakelite (alguns tinham caixa de madeira, e os cupins faziam a festa). Eram Philco, Philips, Standard Eletric, ABC. Eram nesses receptores jurássicos que nós ouvíamos as emissoras Mairinck Veiga, Tupi, Nacional e Globo (todas do Rio de Janeiro), a Bandeirantes de S. Paulo, Rádio Clube, de Recife e a nossa pioneira Rádio Poti. E o nosso futebol? Campeonatos cariocas e paulistas (meses depois víamos esses mesmos jogos no jornal cinematográfico Canal 100 no Cinema Pax de Clóvis Medeiros), transmitidos ou comentados por: Oduvaldo Cozzi, Fiori Giglioti, Waldir Amaral, Pedro Luiz, Mário Vianna (com 2 enes), João Saldanha e Luiz Mendes. Em 1958, foi num rádio desse que eu ouvi o Brasil se tornar Campeão Mundial de Futebol. Puxa, como o tempo corre rápido.

Por Ciduca Barros - escritor caicoense

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Ser para ser sonho - Gilberto Costa

O sonho não pode ter repouso.
Ele precisa sonhar todo dia.
O sonho precisa estar no pensar!
O sonho precisa estar no agir!
Estar no nascente ao acordar;
Estar no poente ao dormir!
O sonho precisa estar no amor,
Estar no sentimento e no devir!
Estar no ir, no vir e no caminhar
Para que não possa se cansar!
O sonho precisa estar no olhar
Para fazer os olhos brilharem!
O sonho precisa estar na alma
Para que se possa enxergá-la!
O sonho precisa se fazer entender;
O sonho não é só um simples querer.
É preciso ser para ser sonho!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Reflexões - Gilberto Costa

Chega o momento do descanso,
Do amanso do remanso
Caudaloso! Do vigoroso
Domado, de meu resguardo,
Guardado no canto do repouso!
Chega o momento de refletir,
De sentir que não há mais partir!
E que a fantástica mágica
Do encanto que se fazia canto,
Em qualquer canto, não se pode mais ouvir!
Chega o momento do ritmo
íntimo se fazer mais tímido.
Mais legítimo! Mais sentido!
Mais curtido! Mais convencido
De que valeu o caminho percorrido

domingo, 14 de dezembro de 2014

Apenas canetas - Gilberto Costa

Tem gente que nasce em berço de ouro!
Tem gente que tem galinhas de ouro!
Tem gente que ganha medalhas de ouro!
Tem gente que pega naipes de ouro!
Tem gente que faz bodas de ouro!
Tem gente coberta de ouro!
Tem gente que desfila na Rosas de Ouro!
Eu tenho um chapéu de couro!
Eu tenho um Gibão-de-Couro!
Eu tenho uma cela de couro!
Eu tenho um laço de couro!
Eu tenho um chinelo de couro!
Eu tenho um uru de couro!
Eu tenho um baú de couro!
Eu nasci na seca de pérolas pretas!
Eu tenho apenas algumas canetas!